Pois bem. O motivo não é por ficar aqui a passar o Natal... neste país que não é o meu, nesta casa que não é a minha, neste ambiente em que não me enquadro (nem eu, nem a Leonor, nem o marido). O motivo é exactamente o oposto. É por ir passar o Natal a CASA, ao meu país, ao meu ambiente. Vou regressar a Portugal antes do previsto. Antes do Natal. Mesmo muito em breve. Se aqui há uns tempos estava contente por saber que ia regressar antes da hora (estava previsto para Janeiro), agora estou infelicissima por ir já. Não queria. Queria passar o Natal aqui. E Porquê? perguntam vocês... Porque o Natal é suposto ser uma quadra passada em família...e a minha está aqui. Nós os três. Por mais que odeie estar aqui, por mais que não goste desta gente mal educada, mal formada, arrogante (e agora venham de lá os anónimos "cacarejar" aqui)... O Natal é para mim uma data especial... sim... há pessoas que não pensam assim. Mas eu penso. Sempre fui e sempre serei fascinada por esse dia. E para mim este ano terá um sabor amargo.
E agora o maior dos motivos...
Estou assim porque o marido vai ficar cá... sozinho...completamente só nesse dia. No dia em que era suposto estarmos todos juntos. No dia em que a casa está sempre cheia. Cheia de amor, cheia de alegria e boa-disposição, cheia de aromas adoçicados, cheia de paz... E esta casa onde ainda estou neste momento estará só. E ele estará aqui. Só. E eu estarei em Portugal...com a minha princesa...mas só! O meu coração fica pequenino só de imaginar uma das pessoas que mais amo a passar essa noite sozinho. Custa-me constatar que ele não está presente nos momentos mais especiais da filha. Da coisa que ele mais ama na vida. Não a viu sentar-se sem apoio, não a viu bater palminhas, não a viu dizer a primeira palavra, não a viu gatinhar, não a viu provar sabores novos, não a viu meter-se de pé, não a viu dar os primeiros passos, não esteve no 1º aniversário...e agora não estará no Natal. Custa-me pensar que ele que tanto quis ter um filho/a, agora não pode disfrutar de todos os momentos especiais. Sei que será para um melhor futuro, sei tudo isso, mas custa. Não por mim, mas por ele. Porque não acho justo. Porque ele faz tantos sacríficios.
Quando os clubes não cumprem o que está nos contratos, torna-se impossivel uma família estar aqui, neste país onde tudo é mais caro. Há objectivos que têm de ser cumpridos e para isso os sacrifícios têm de ser feitos. E é sempre ele que os faz. Sempre.
Se os dias demoravam uma eternidade a passar, agora com toda a certeza vão voar e logo chegará o dia da despedida. Não quero pensar nisso. Mas não consigo imaginar o que vai dentro do coração dele ao sentir que vai estar tanto tempo longe da filha. Sinto-me triste por mim, mas mais ainda por ele.
Não devo voltar a escrever antes da viagem... mas depois volto à carga, porque este blog é uma das formas do papá seguir o desenvolvimento da princesa.
Obrigada pelo carinho.